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quarta-feira, 8 de junho de 2011

Os fabricantes de miséria - os miseráveis da Região dos Lagos

O campeão em número de miseráveis da Região dos Lagos, proporcionalmente à população, é Araruama. Tem 18.914 (16,96%) moradores nessa condição: 3.973 sem rendimento; 3.366 com rendimento de 1 a 70 reais; e 11.575, de 71 a 140.

Em segundo lugar, temos Cabo Frio com 26.316 (14,34%) miseráveis: 6.566 sem rendimento algum; 4.090, de 1 a 70 reais; e 15.660, de 71 a 140.

Em terceiro lugar, São Pedro da Aldeia, com 12.416 (14,15%): 2.726, sem rendimento; 2.138, de 1 a 70; e 7.552, de 71 a 140 reais.

Em quarto, Arraial do Cabo, com 3.632 (13,15%): 1.128, sem rendimento; 442, de 1 a 70; e 2.062, de 71 a 140 reais.

Em quinto,  Iguaba Grande, com 2.846 (12,46%): 644, sem rendimento; 385, de 1 a 70; 1.817, de 71 a 140 reais.

Finalmente, Rio das Ostras, com 10.561 (10,01%): 3.396, sem rendimento; 1.276, de 1 a 70; e 5.889, de 71 a 140 reais.

Fonte: "ibge"          

Os fabricantes de miséria - introdução

O IBGE divulgou os resultados preliminares do universo do censo demográfico de 2010. Somos 27.538 buzianos, 13.737 homens e 13.801 mulheres. Crescemos 51,27%, em número de habitantes, de 2000 (data do último censo) a 2010. Temos 8.715 (31% da população) buzianos com menos de 19 anos de idade. De 15 a 19 anos somos 2.194 jovens, mas não temos nenhuma política pública pra eles.

Somos 2.624 (9,49%) miseráveis (conceito do próprio IBGE): 218 com rendimento nominal mensal per capita de 1 a 70 reais; 1.492, de 71 a 140; e 914 sem rendimento algum.

Uma outra tabela- de domicílios particulares permanentes, por classes de rendimento nominal mensal domiciliar per capita- confirma esta realidade cruel nada condizente com um município com fama de ser um paraíso. Para quem habita esses domicílios deve ser um verdadeiro inferno viver em Búzios. De um total de 9.102 "Domicílios Particulares Permanentes" (DPP), temos 4.227 (46,90%) com renda per capita igual ou inferior a 1 Salário Mínimo (SM). Duzentos e trinta (230) domicílios têm renda até 1/4 do SM. 

Quando levantamos os dados uma sensação muito ruim tomou conta da gente. Revolta, indignação, raiva mesmo. Temos governantes (em toda Região dos Lagos) que são verdadeiros fabricantes de miséria. Ou são incompetentes, ou são corruptos. Ou são as duas coisas juntas. Ou são incompetentes pra governar, ou muito competentes pra roubar. Os dados mostram que só uma minoria se beneficia dos orçamentos milionários de quase todos os município de nossa Região dos Lagos. Em Búzios, desde a emancipação, já tivemos mais de 1 bilhão de reais de receitas orçamentárias. Em geral, não se tem a quem reclamar. Na maioria desses municípios temos câmara de vereadores omissas e/ou coniventes. Justiça lenta ou conivente também. A única solução é sair às ruas pra lutar por seus direitos. Não tem outro jeito. Nossos governantes morrem de medo de povo na rua. Eles sabem que quando essa energia é liberada não se tem mais controle. Eles gostam de resolver tudo lá "por cima", em acordos contra/sem o povo.      

Nas próximas postagens apresentaremos resultados preliminares do universo do censo demográfico de 2010 sobre abastecimento de água, fornecimento de energia elétrica, esgotamento sanitário, existência de banheiros nos domicílios, destino do lixo, etc. Na medida do possível farei comparações tanto com o censo de 2000 quanto com os municípios vizinhos de nossa Região (Araruama, Arraial do Cabo, Cabo Frio, Iguaba Grande e São Pedro da Aldeia). Já coletei dados destes municípios, aos quais acrescentei os de Rio das Ostras que, apesar de não pertencer à nossa Região dos Lagos, tem importância pela proximidade.

Fonte: "ibge"        

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

O PIB de Búzios I

O Produto Interno Bruto (PIB) de Búzios, na última medida feita pelo IBGE em 2007, é igual a R$ 1,16 bilhões. Encontram-se valores diferentes dependendo dos critérios de cálculo. A Fundação CIDE, por exemplo, em suas medições, desconta a produção de petróleo e gás, ou seja, não leva em conta a atividade econômica da "indústria extrativa" petrolífera em nossa costa. Em 2007, essa indústria contribuiu com R$ 843.808.000 (73,8%) para o PIB de nosso município. 

Dividindo-se o PIB pela população da cidade nesse ano, temos a renda per capita de R$ 47.471,00 em 2007. Essa renda é a 5ª renda per capita do Estado do Rio de Janeiro. Antes, sem o petróleo e o gás, ficávamos em 18º.

A principal atividade econômica de nossa cidade, sem considerar petróleo e gás, como não poderia deixar de ser, é a prestação de "Serviços". Correspondeu, em 2005, a 33,9% de toda riqueza gerada em nosso município. Desde 1997, os "Serviços" vêm crescendo a taxas altíssimas (27% ou mais), exceto nos anos de 2001 - que decresceu 6%- e de 2004- que praticamente não sofreu variação em relação ao ano anterior. O setor "Serviços" contribuiu com 14,990 milhões de reais para o PIB de Búzios em 1997. Dez anos depois, saltou para 102,582 milhões (2006).

O segundo setor mais importante da economia buziana já foi a "Construção Civil". Nos anos iniciais de existência autonoma- de 1997 a 1999- chegou a ocupar a primeira posição. Hoje, disputa o terceiro lugar com o setor "Administração Pública". Em segundo lugar, em 2006, temos "Aluguéis".

A "Construção Civil", nesses 10 anos, teve altos e baixos. Muito mais baixos que altos. Por causa das moratórias decretadas em 2003 e 2005, quando se discutia o Plano Diretor da cidade, diminuiu muito a participação do setor na economia. Estranhamente cresceu muito em 2004  e 2005- mesmo com moratória em vigor-, para tomar um tombo de 81%  em 2006. Neste ano, representou um pouco mais de 10% do PIB.

"Aluguéis" somaram 34,800 (13,1% do PIB) milhões de reais ao produto buziano. A contribuição dos "Aluguéis" ao nosso produto interno vem em crescimento constante desde 1997, mas a participação no total vem diminuindo. Caiu de 20% em 1997 para 13,1% em 2006.

A "Administração Pública" que participava com 4% (3,3 milhões de reais) do PIB em 1997, chega a 2006 com 12% (31,7 milhões). Um aumento de 840%. Também veio em um crescimento constante. Só teve uma queda de 26% em 2003 e de 15% em 2005, para voltar a subir em 2006, fechando em R$ 31,7 milhões. 

Essa participação da administração pública constitui um desvio de finalidade. Aquela que deveria fomentar a economia para gerar emprego e renda na iniciativa privada, deturpando a verdadeira finalidade da administração pública, é hoje a segunda grande empregadora da cidade com 2.500 funcionários. Isso, sem considerar os terceirizados.

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